segunda-feira, 14 de maio de 2012

ÃO

Abarca um bocado
Do coração
Entre o vão
Do bocão de jeito que
Bate e incorpora
Sensação de frustração
Nem o pão vazio
Parece tão duro
Quando o som
Do vazio da escuridão
Pronuncia a razão
Tua razão
Que não me parece
Nem aparece
Tá, parei
Provoquei e cutuquei
Caí fora
Put’azarão!

Autor: Guga Nagib

segunda-feira, 7 de maio de 2012

INSPIRE

Tem palavra
Que toda língua
Reconhece como tal
Nem faz força pra compreensão
Nem exige tradução
Tem palavra que a mente
Clama chama exclama
Nem sempre a gente dá atenção
Mas tem palavra tal
Que entre dias de contramão
Promove elevação mental
Mesmo em um grande não
Interior que remete a depressão
Se se acha a palavra
Há suspiro e há precisão
Inspire
Inspire-se
Pire
Inspiro-me
Sinto-me o próprio cheiro
Às vezes bom
Nem sempre tão bom

Autor: Guga Nagib

quinta-feira, 3 de maio de 2012

BARULHO DÓI

Barulho
Quando minha cabeça dói
Constrói
Entre aqui, acolá
Sei lá do seu som
Entre som e barulho
Há a diferença
Entre seu som aqui
Acolá me desperta
Uma dose de rum
Ou um guaraná?
Bate saudade
Seu som era
O barulho que
Aqui me levava
Acolá
A cabeça dói

Autor: Guga Nagib

terça-feira, 3 de abril de 2012

FAZ TEMPO

Ai, que sei lá
Pega, esconde dentre olhos
Foge, entre a saliva
Paixão, nada
Amor, menos
Metal, quente
Água, ainda fria
No fogo que fez ontem
Arde a dor
Que me faz hoje
Faz tempo
Mas é que, às vezes,
O faz tempo foi ontem
E ontem, me perdi
Faz tempo
Que não encontro
E quando vejo
Que foi ontem
Entendo que quase sempre
O ontem é tanto tempo
Que nem nada apaga o hoje
Faz tempo que: não
Faz tempo quero: sim
Mas o faz tempo foi ontem


Autor: Guga Nagib

quarta-feira, 28 de março de 2012

AÇÃO POÉTICA


Dormir:
Estar entregue ao sono
E assim basta, me basta
Basta!
No momento em que quero criar
Poda-se
A vida exige a inspiração
A realidade, a castração
No meu grito de desespero
Chamo a todos
Para professar a poesia
Despertar em qualquer lugar
– Muro sujo ou beco sem saída –
A ação poética, já!
Não há mais o que esperar
Se desse pra dormir
Então tudo bem
Mas permanecer acordado
Na patética, não!
Me entrego, então
Ao sono
A arte de entregar-se
Ao mais que poético em nós
De nós
Pela ação poética já!
Patética, bye!


Texto e foto: Guga Nagib

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

(A)TEMPORAL

As mil frases bonitas
Se perderam no vendaval
Então ficaram as feias
Horríveis e medonhas
Que o temporal lavará
Com toda sua água pesada
E corrosiva
Se faz ácido para suportar
A maldade humana que não para
O temporal diz
Prestar atenção
Aos raios, nuvens e gotas
Chora por nós
Chora em nós
As mil frases feias
Agora limpas
Tornam-se belas, menos feias
Então é hora de voltar
E sujar outra vez, e esperar
Pela grande lavagem atemporal
Do temporal outra vez

Autor: Guga Nagib

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O BEIJO DA PAZ

Entre os absurdos do tempo
Ou da vida, aos pessimistas
Um último gole da cachaça
Que seja o último
Um tapa na cara com marca de dedo
Que seja o último
Dor de cabeça de noite mal dormida
Que seja a última
Corrida na praia com pé dolorido
Que seja a última
Sunga que sai na cachoeira
Que seja a última
Cachorro que ladra demais
Que seja o último
Político do assalto à mão não armada
Que seja o último
Barulho de carro antes das nove
Que seja o último
Seu grito comigo que tampa o ouvido
Que seja o último
Nosso beijo de paz
Que não seja o último


Autor: Guga Nagib